Se você acha que futebol e rock só se encontram quando alguém resolve colocar um hino de estádio no meio de um show, é melhor rever esse conceito.
Enquanto muitos jogadores preferem samba, funk, pagode, hip-hop, trap ou reggaeton para embalar viagens e vestiários, existe uma turma do futebol que troca tranquilamente a playlist do momento por uma boa dose de guitarras distorcidas, bateria pesada e solos capazes de fazer qualquer amplificador pedir arrego.
E não estamos falando apenas de ouvir música. Alguns desses nomes já foram a shows, conheceram integrantes de grandes bandas, montaram playlists para estádios e até subiram no palco como músicos.
Confira sete personalidades do futebol que provaram que também existe muito headbanger dentro das quatro linhas.

Imagem: Djalma Vassão
Rogério Ceni: AC/DC, Metallica e rock no Morumbi
Ídolo máximo do São Paulo, maior goleiro-artilheiro da história do futebol mundial e atualmente treinador do Bahia, Rogério Ceni é provavelmente um dos maiores representantes do rock dentro do futebol brasileiro.
O ex-goleiro nunca escondeu sua admiração por bandas como AC/DC, Pink Floyd, Metallica e U2. E em 2011, quando completou mil partidas pelo São Paulo, Ceni conseguiu transformar o Morumbi em praticamente um festival de rock.
Na ocasião, a diretoria permitiu que o goleiro montasse a playlist oficial do estádio para a partida contra o Atlético-MG. O resultado? Um repertório 100% rock, com cinco músicas do AC/DC e faixas de Metallica, Scorpions, Guns N’ Roses e Dire Straits.
A relação com o AC/DC era especialmente forte. Entre 2011 e 2015, Ceni escolheu “Hells Bells” como trilha sonora para a entrada do São Paulo em campo.
E quando o goleiro chegou ao centésimo gol da carreira, os torcedores não perdoaram: surgiu o meme de que AC/DC significava “Antes de Ceni, Depois de Ceni”, com uma montagem do rosto do jogador no corpo de um guitarrista.
Filipe Luís: Iron Maiden quase virou problema com a torcida
Atual técnico do Monaco, da França, e ex-jogador do Flamengo, Filipe Luís também tem uma queda declarada pelo rock e pelo heavy metal.
A paixão pelo gênero quase rendeu uma situação bastante curiosa em 2019. Ao desembarcar no Rio de Janeiro para assinar com o Flamengo, Filipe apareceu usando uma camiseta de Killers, segundo álbum do Iron Maiden, lançado em 1982.
Até aí, tudo normal para um fã da Donzela de Ferro. O detalhe é que o personagem Eddie, estampado na camiseta, também é associado à Força Jovem, torcida organizada ligada ao rival Vasco da Gama. Resultado: parte da torcida rubro-negra criticou o jogador, sem considerar a origem musical do personagem.
Em entrevista para a FlaTV, em 2020, Filipe revelou algumas de suas preferências musicais. Entre elas estavam Red Hot Chili Peppers, com “Californication” como a música que ele mais havia escutado na vida, além de The Strokes, U2 e Engenheiros do Hawaii.
E o rock não ficava restrito ao fone de ouvido. Filipe contou que tinha o hábito de ouvir música antes das partidas.
“Meus companheiros entendem que eu sou um cara diferente e gosto de rock. Por exemplo, antes de ir para os jogos eu costumo fazer a barba e colocar um rock, isso me motiva bastante e me dá uma energia extra pro jogo.”
David de Gea: do vestiário para o backstage do metal
Ídolo do Manchester United e atualmente goleiro da Fiorentina, o espanhol David de Gea também tem uma playlist que faria muito mosh pit ficar orgulhoso.
O jogador já declarou ser fã de System of a Down, Slipknot, Megadeth, Metallica e, principalmente, Avenged Sevenfold.
A admiração pelo Avenged Sevenfold chegou ao nível “vou conhecer os caras pessoalmente”. Em janeiro de 2017, De Gea esteve nos bastidores de um show da banda em Manchester.
E não chegou de mãos vazias: o goleiro presenteou os integrantes com uma camisa oficial do Manchester United, personalizada com o número 7 e o nome “Avenged” nas costas.
Em entrevista oficial à UEFA, em 2022, De Gea contou que sua paixão pelo estilo começou ainda na infância.
Segundo ele, durante os verões que passava em Alicante, na Espanha, costumava conviver com garotos mais velhos que ouviam heavy metal. A influência acabou pegando.
O resultado foi um goleiro apaixonado por rock e metal, que descreveu o gênero como uma fonte de motivação.
Sergio Ramos: AC/DC, Guns N’ Roses e até casamento com hard rock
Multicampeão pelo Real Madrid e campeão mundial com a Espanha em 2010, Sergio Ramos construiu uma carreira gigantesca no futebol. Fora dos gramados, porém, o zagueiro também tem seus clássicos favoritos.
Entre eles estão AC/DC, Motörhead e Guns N’ Roses.
Em 2016, Ramos conseguiu chegar ainda mais perto de um de seus ídolos. Durante um show do AC/DC na Espanha, realizado na época em que Axl Rose substituía temporariamente Brian Johnson nos vocais, o jogador esteve nos bastidores e tirou uma foto com o cantor.
Ramos descreveu o encontro como um “sonho realizado”.
E o gosto pelo rock não era exclusividade dele dentro de casa. Sua esposa, a apresentadora espanhola Pilar Rubio, também é fã declarada do gênero.
A paixão pelo Guns N’ Roses chegou a influenciar até a escolha dos nomes dos filhos. Antes do nascimento do terceiro filho do casal, em 2018, Pilar revelou que havia pensado em batizar a criança de Axl. Ramos, apesar de gostar da banda, não aprovou a ideia por considerar o nome ousado demais.
Mas talvez a maior prova da paixão musical do casal tenha acontecido no casamento, realizado em Sevilha, em 2019.
Na época, jornais europeus noticiaram que Ramos teria oferecido 1 milhão de euros para o AC/DC tocar na cerimônia. As negociações não avançaram e quem assumiu o palco foi a banda sueca de hard rock Europe.
O grupo fez uma apresentação de aproximadamente 40 minutos, incluindo o clássico “The Final Countdown”.
Slaven Bilić: o treinador que levou o metal para o palco
Se existe alguém nessa lista que decidiu não apenas ouvir rock, mas também tocar, esse alguém é o croata Slaven Bilić.
Ex-zagueiro e treinador, Bilić é fã declarado de Metallica, Megadeth e, principalmente, Iron Maiden. A relação com a Donzela de Ferro foi além da admiração musical: ele desenvolveu uma amizade pessoal com o baixista Steve Harris.
A conexão também passa pelo futebol. Harris é conhecido por ser torcedor do West Ham, clube pelo qual Bilić atuou como jogador e posteriormente trabalhou como treinador.
Em 2026, o croata esteve presente em um jantar fechado realizado em Split, sua cidade natal, antes do início da Run For Your Lives Tour do Iron Maiden. A cidade é tradicionalmente utilizada pela banda para ensaios antes de turnês.
Bilić chegou a se autoproclamar o treinador “mais heavy metal do futebol”. E não era só conversa.
Na Croácia, ele fundou a própria banda de hard rock, a Rawbau, assumindo a guitarra.
Em 2008, o grupo ganhou grande destaque ao lançar “Vatreno Ludilo”, música que acabou se transformando no hino não oficial da seleção croata durante a Eurocopa daquele ano.
Detalhe: Bilić era justamente o treinador da seleção na competição.
Petr Čech: quando o goleiro troca as luvas pelas baquetas
Considerado um dos grandes goleiros da história da Premier League, com passagens marcantes por Chelsea e Arsenal, o tcheco Petr Čech encerrou a carreira no futebol em 2019.
Mas não ficou parado.
Čech mantém um canal no YouTube dedicado, entre outras coisas, a covers de bateria. No repertório aparecem nomes como U2, Linkin Park e Foo Fighters.
Em 2019, o ex-goleiro ainda participou de uma gravação beneficente. Ele lançou a música “That’s Football” dividindo os vocais com ninguém menos que Roger Taylor, lendário baterista do Queen.
E Čech continua praticando.
Mais recentemente, o ex-atleta participou do Drumeo, considerado um dos maiores canais de bateria do mundo, onde teve contato com clássicos do Journey e aprendeu a tocar as músicas pela primeira vez.
Ou seja: depois de defender pênaltis, o homem resolveu defender a bateria.
Walter Casagrande: futebol, rock e uma relação que atravessa gerações
Ídolo da chamada Democracia Corinthiana, o ex-jogador e comentarista Walter Casagrande Júnior também construiu uma relação profunda com o rock e o heavy metal.
A paixão começou ainda na adolescência e acompanhou Casagrande durante toda a vida. Ao longo dos anos, ele passou a ser uma das personalidades do futebol brasileiro mais associadas publicamente à cultura rock, sendo presença frequente em shows.
Para Casagrande, o rock representa muito mais do que entretenimento. O ex-jogador já explicou que a música ajudou a formar sua personalidade e sua visão de mundo, especialmente por sua relação com ideias como liberdade, contestação e autenticidade.
Em uma declaração, resumiu sua ligação com o gênero:
“Na minha veia, corre o sangue do rock and roll. Sou muito eclético, claro que venho do rock, do rock psicodélico dos anos 1960 e 70. Gosto muito de blues, também.”
Em outra ocasião, durante participação no podcast Sistema Solari, Casagrande falou sobre sua relação com as drogas e afirmou que o rock também teve papel importante em sua trajetória de recuperação da dependência química.
Ele citou influências como Janis Joplin e Jim Morrison e contou que entrou em contato com drogas injetáveis em 1982, após conhecer pessoas durante um show de Peter Frampton.
A história de Casagrande mostra que, para alguns nomes do futebol, o rock nunca foi apenas trilha sonora. Em diferentes momentos, a música acabou fazendo parte da identidade, das amizades e até das escolhas de vida.
Quando futebol e rock dividem o mesmo vestiário
Dos estádios aos bastidores de shows, passando por bandas próprias e até baterias, esses sete nomes mostram que o universo do futebol está bem mais conectado ao rock e ao heavy metal do que pode parecer.
Tem goleiro que monta playlist de estádio, jogador que vai para backstage conhecer seus ídolos, treinador que toca guitarra e ex-atleta que decidiu virar baterista.
No fim das contas, talvez a diferença entre um bom jogador e um bom roqueiro seja apenas o tamanho do palco. E, convenhamos, alguns desses caras já estão acostumados com multidões.



