Se existe uma banda que nunca teve medo de misturar rock, folk, blues, jazz e música clássica, essa banda é o Jethro Tull. E agora uma das fases mais importantes de sua história ganhou tratamento de colecionador.
A Rhino High Fidelity anunciou o lançamento de “Jethro Tull 1968-1972”, boxset audiófilo que reúne os cinco primeiros álbuns de estúdio do grupo. E, para quem gosta de ouvir música com qualidade quase cirúrgica, existe ainda uma edição especial de “Aqualung” em Reel-to-Reel.
O box reúne “This Was” (1968), “Stand Up” (1969), “Benefit” (1970), “Aqualung” (1971) e “Thick as a Brick” (1972).
Os cinco trabalhos passaram por um processo AAA, ou seja, foram cortados diretamente das fitas master analógicas britânicas. O responsável pelo processo foi o engenheiro Kevin Gray, enquanto a prensagem em vinil de 180 gramas ficou por conta da Optimal, na Alemanha.
Para o fã de áudio analógico, é basicamente o equivalente a colocar o amplificador no talo e mandar o som direto para a alma.

Imagem: Rhino
Boxset tem acabamento de luxo e tiragem limitada
A coleção chega em uma caixa com acabamento que imita couro, dando ao conjunto aquela aparência de item que você provavelmente vai pensar duas vezes antes de deixar alguém tocar.
Cada álbum vem acondicionado em uma capa gatefold brilhante, acompanhada por novas notas sobre os discos e comentários de Ian Anderson, vocalista, compositor e multi-instrumentista do Jethro Tull.
A produção será limitada a apenas 3 mil unidades numeradas individualmente.
O box está sendo comercializado exclusivamente pelo site da Rhino e por lojas selecionadas do Warner Music Group em diferentes países.
Aqualung também ganha versão para quem leva o analógico a sério
E se o box já não fosse suficiente, “Aqualung” ganhou uma edição especial em Reel-to-Reel, formato que definitivamente não é para quem quer apertar play e sair correndo.
A nova versão foi duplicada em tempo real a partir de uma cópia 1:1 da master analógica original britânica, com a proposta de manter o máximo possível da dinâmica e das características da gravação.
A fita trabalha a 15 i.p.s., utiliza formato half-track de 1/4 de polegada e padrão de equalização IEC.
O material foi gravado em fita RTM LPR90 e colocado em um carretel metálico de 10,5 polegadas.
E aqui vem o detalhe que vai fazer colecionador começar a fazer conta: apenas 350 unidades dessa edição foram produzidas em todo o mundo.
Cinco discos, cinco anos e uma transformação absurda
Entre 1968 e 1972, o Jethro Tull passou por uma transformação que normalmente levaria décadas.
Em apenas cinco anos, a banda saiu de uma cena britânica fortemente ligada ao blues para se tornar um dos grandes nomes internacionais do rock progressivo, mudando consideravelmente sua sonoridade a cada novo lançamento.
Tudo sob o comando de Ian Anderson, figura central da banda e um dos músicos mais particulares daquela geração.
This Was: o começo ainda mergulhado no blues
Lançado em 1968, “This Was” apresentou um Jethro Tull muito conectado ao blues e ao jazz.
Mas a fórmula não duraria muito tempo.
No ano seguinte, a chegada do guitarrista Martin Barre ajudou a empurrar o grupo para novas possibilidades, incluindo melodias influenciadas pelo folk inglês e estruturas cada vez mais elaboradas.
O resultado apareceu em “Stand Up”, de 1969, álbum que chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas.
Benefit engrossa o som
Em 1970, “Benefit” mostrou que o grupo estava disposto a continuar mexendo na própria receita.
A entrada do tecladista John Evan ajudou a criar uma sonoridade mais pesada, densa e sombria, aproximando o Jethro Tull de arranjos cada vez mais complexos.
A banda já não estava simplesmente fazendo blues com uma pitada de experimentação. O negócio estava ficando muito mais ambicioso.
Aqualung transforma o Jethro Tull em gigante
Então chegou “Aqualung”, em março de 1971.
O álbum apresentou o novo baixista Jeffrey Hammond e rapidamente se tornou um dos maiores trabalhos da carreira do grupo.
Faixas como “Locomotive Breath” e a própria “Aqualung” ganharam status de clássicos e passaram a frequentar constantemente as rádios de rock.
O disco também acabou sendo associado à ideia de álbum conceitual. Só tinha um pequeno detalhe: Ian Anderson não concordava exatamente com essa interpretação.
E a resposta veio em alto e bom som no álbum seguinte.
Thick as a Brick: uma música de 43 minutos? Sim, senhor
Em 1972, o Jethro Tull lançou “Thick as a Brick”, uma verdadeira declaração de que a banda não estava interessada em jogar no modo fácil.
O álbum apresenta 43 minutos de duração em uma única faixa contínua, misturando rock progressivo, elementos sinfônicos e sátira.
O disco também marcou a estreia do baterista Barriemore Barlow.
E a aposta funcionou: “Thick as a Brick” se tornou o primeiro álbum do Jethro Tull a alcançar o topo da parada americana.
Uma sequência que definiu uma carreira de mais de cinco décadas
Os cinco álbuns reunidos no novo box mostram justamente o período em que o Jethro Tull encontrou sua identidade e passou a ocupar um espaço único dentro do rock.
A banda posteriormente construiu uma carreira de mais de cinco décadas, acumulando mais de 60 milhões de álbuns vendidos e um Grammy.
E Ian Anderson e companhia continuam na ativa, mantendo uma agenda de apresentações internacionais e lançando novos trabalhos.
Para quem curte rock progressivo, vinil, áudio analógico e história do rock, o box “Jethro Tull 1968-1972” é praticamente uma viagem no tempo — só que com qualidade sonora de primeira e uma quantidade perigosamente alta de motivos para gastar dinheiro em disco.




