Antes de conquistar os Estados Unidos, provocar a Beatlemania e transformar a música popular para sempre, os Beatles estavam longe de ter a formação que o mundo aprendeu a conhecer.
A banda foi sendo construída aos poucos, entre mudanças de integrantes, apresentações em Liverpool e viagens para Hamburgo, na Alemanha. Tudo começou com John Lennon e os Quarrymen, grupo que posteriormente receberia Paul McCartney, em 1957, e George Harrison.
Mas o quarteto que entraria para a história ainda estava longe de existir.
E sim: antes de Ringo Starr assumir as baquetas, havia outro baterista. E antes da formação definitiva, outro músico ocupava o baixo.

Imagem: Stuart Sutcliffe (al centro, col basso) sul palco insieme ai Beatles (da Wikipedia)
Stuart Sutcliffe: o Beatle que trocou o palco pela arte
Um dos personagens mais importantes dessa primeira fase foi Stuart Sutcliffe, amigo próximo de John Lennon.
Sutcliffe entrou para o grupo como baixista em 1960, justamente quando a banda começava a ganhar experiência tocando com mais frequência.
Ele acompanhou os Beatles nas primeiras viagens para Hamburgo, cidade alemã que teve papel fundamental no amadurecimento musical do grupo.
As longas apresentações nos clubes de Hamburgo ajudaram os integrantes a desenvolver resistência no palco, melhorar a performance e ganhar experiência tocando diante de diferentes públicos.
Só que Sutcliffe tinha outros planos.
Em 1961, ele deixou os Beatles para se dedicar à carreira artística e decidiu permanecer em Hamburgo. O músico morreu em 1962, aos 21 anos.
Ou seja: a história dos Beatles já tinha perdido uma peça importante antes mesmo de o mundo descobrir o tamanho da banda.
Antes de Ringo, quem comandava a bateria era Pete Best
Se alguém pensa que Ringo Starr sempre esteve sentado atrás da bateria dos Beatles, temos uma pequena correção histórica.
Antes dele, o posto era de Pete Best.
Best entrou para os Beatles em 1960 e acompanhou o grupo durante as temporadas em Hamburgo e nos primeiros anos de apresentações em Liverpool.
O baterista também participou das primeiras sessões de gravação da banda para a Parlophone, deixando seu nome registrado em uma fase ainda embrionária da carreira do grupo.
Mas, em agosto de 1962, aconteceu uma das mudanças mais importantes da história da banda: Pete Best foi dispensado e substituído por Ringo Starr.
A troca ocorreu justamente quando os Beatles estavam prestes a entrar em uma fase completamente diferente.
Timing? Pode chamar de um dos maiores “e se?” da história do rock.
Ringo Starr entra em cena
Antes de vestir a camisa dos Beatles, Ringo Starr já era conhecido na cena musical de Liverpool.
O baterista tocava com Rory Storm and the Hurricanes, banda que tinha bastante destaque no circuito local.
John Lennon, Paul McCartney e George Harrison já conheciam o trabalho de Ringo antes de sua chegada ao grupo.
Quando ele assumiu a bateria, finalmente surgiu a formação que se tornaria praticamente sinônimo de Beatles:
John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.
E não demorou muito para essa escalação mostrar que tinha algo especial.
E se Pete Best tivesse continuado?
Aqui começa uma daquelas viagens que deixam qualquer fã de rock pensando por horas.
É impossível saber exatamente o que teria acontecido se Pete Best tivesse permanecido nos Beatles. O mesmo vale para Stuart Sutcliffe.
Talvez a banda tivesse seguido um caminho completamente diferente. Talvez o som fosse outro. Talvez o sucesso viesse de outra maneira.
Ou talvez nada disso tivesse acontecido.
O que a história permite afirmar é que ambos foram importantes para a construção dos Beatles durante os primeiros anos e fizeram parte de uma fase fundamental antes da explosão internacional.
A chegada de Ringo Starr aconteceu em um momento decisivo.
Poucos meses depois, os Beatles lançaram “Love Me Do”, primeiro single da banda, em outubro de 1962.
Em 1963, o grupo começou a dominar as paradas britânicas e a febre dos Beatles tomou conta do Reino Unido.
A partir daí, o negócio saiu completamente do controle.
A Beatlemania estava só começando
Com Lennon, McCartney, Harrison e Starr, os Beatles entraram em uma trajetória que os levaria ao estrelato mundial.
A Beatlemania explodiu e transformou os quatro músicos em fenômenos culturais.
Shows lotados, fãs gritando, capas de revistas, televisão, turnês internacionais e uma sequência de músicas que mudaria a história da música popular.
Mas existe um detalhe fascinante nessa história: quando os Beatles finalmente conquistaram o planeta, algumas das pessoas que participaram da construção inicial da banda já não estavam mais ali.
A formação que virou lenda
John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr se tornaram a formação definitiva e mais famosa dos Beatles.
Mas a história da banda começou muito antes de esse quarteto se consolidar.
As passagens de Stuart Sutcliffe e Pete Best mostram que até mesmo a maior banda da história do rock passou por mudanças, testes e decisões difíceis antes de encontrar sua identidade.
No caso dos Beatles, a troca de integrantes aconteceu pouco antes da explosão mundial.
E talvez esse seja um dos maiores “e se?” da história da música: será que os Beatles teriam conquistado o mundo da mesma maneira com outra formação?
A resposta nunca saberemos.
O que sabemos é que, quando Ringo Starr entrou, quatro caras de Liverpool estavam prestes a fazer um barulho que o mundo inteiro ouviria.




