DESTAQUESNOTÍCIAS

10 clássicos do rock que os próprios autores praticamente baniram dos shows

Todo fã sonha em ouvir aquele clássico ao vivo. Mas, do outro lado do amplificador, nem todo artista tem o mesmo entusiasmo. Com o passar dos anos, muitos músicos passam a pegar ranço de canções que ajudaram a construir suas carreiras — seja por desgaste, mudanças artísticas ou até traumas pessoais.

IBAGEM RADIOHEAD

Imagem: Reprodução

Depois de tocar a mesma música milhares de vezes, é comum que artistas passem a enxergar defeitos, se desconectem da letra ou simplesmente não queiram mais saber daquele hit que o público insiste em pedir. Resultado? Clássicos históricos ficam fora do setlist.

Bandas gigantes como Led Zeppelin, Nirvana, R.E.M., Radiohead e outras já admitiram a dificuldade (ou a total falta de vontade) de revisitar algumas composições que marcaram época.

Um exemplo recente veio do Radiohead, que voltou aos palcos após sete anos e deixou “Creep” fora do show em Madri, em novembro passado. Coincidência? Nem um pouco.

Com base em dados do Far Out, a Rock News reuniu uma lista de clássicos do rock que quase nunca — ou nunca mais — aparecem ao vivo. Bora conferir?


10 clássicos do rock que quase nunca tocam ao vivo

Radiohead — “Creep”

Lançada como cartão de visitas no álbum Pablo Honey (1993), “Creep” virou um sucesso instantâneo — e um problema eterno.

Thom Yorke já foi direto sobre a faixa:

“Nunca fiquei muito feliz com a letra; achei bem ruim.”

Depois de anos tocando a música sem parar, a banda simplesmente cansou. Desde meados dos anos 1990, a canção virou raridade e, em alguns momentos, o grupo chegou a mandar o público “se foder” por insistir no pedido. Climinha agradável.


Arctic Monkeys — “Fluorescent Adolescent”

Um dos hinos do Favourite Worst Nightmare (2007), “Fluorescent Adolescent” marcou a ascensão do Arctic Monkeys. Apesar de ter sido presença constante nos shows por anos, a faixa foi sendo deixada de lado nas turnês mais recentes.

Mudança de fase, mudança de som… e mudança de setlist.


R.E.M. — “Shiny Happy People”

Talvez o maior hit comercial do R.E.M., mas também o mais rejeitado pela própria banda.

Michael Stipe já descreveu a música como:

“Uma canção pop açucarada escrita para crianças.”

Ele ainda completou que não gostaria que essa fosse a música enviada ao espaço para representar o grupo. A faixa saiu até da coletânea In Time (2003) e foi praticamente aposentada após duas apresentações em 1991.


AC/DC — “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock’n’Roll)”

Amada pelos fãs, mas delicada para a banda. Após a morte de Bon Scott, o AC/DC optou por não tocar mais a música.

A letra fala sobre excessos, roubos, pancadaria e a vida caótica no rock — exatamente o estilo de vida que levou o vocalista à morte. Brian Johnson considerou insensível cantar algo tão pessoal ligado ao antigo frontman.


Heart — “All I Wanna Do Is Make Love to You”

Apesar do enorme sucesso nos anos 1990, a vocalista Ann Wilson nunca escondeu o incômodo com a letra da canção, escrita por Mutt Lange.

Segundo ela, a história era:

“Vazia, estranha e até odiosa.”

Resultado: a banda passou anos se recusando a tocá-la ao vivo. A última vez foi em 2009.


Beastie Boys — “(You Gotta) Fight for Your Right (To Party!)”

Criada como uma sátira, a música virou exatamente o oposto do que a banda pretendia: um hino de festa sem cérebro.

Mike D admitiu:

“Talvez tenhamos reforçado valores que criticávamos.”

Depois do Lollapalooza 1994, a faixa foi aposentada oficialmente.


Elton John — “Empty Garden”

Uma das músicas mais emocionais da carreira de Elton John, escrita em homenagem a John Lennon.

A carga sentimental era tão pesada que Elton raramente conseguia cantá-la ao vivo. Segundo ele, a música sempre o levava de volta à dor da perda do amigo.


Led Zeppelin — “Stairway to Heaven”

Um dos maiores hinos da história do rock… e um dos menos amados por Robert Plant.

O vocalista já chamou a música de “trilha de casamento” e disse que não se identifica mais com ela. Fora das raríssimas reuniões do Led Zeppelin, Plant praticamente baniu a canção da própria carreira solo.


King Crimson — “21st Century Schizoid Man”

A música mais icônica do King Crimson ficou 22 anos fora dos palcos.

Mudanças constantes na formação fizeram a banda enxergar a faixa como um retrato de uma era passada. Com o tempo, o público insistiu tanto que ela acabou voltando ao repertório — inclusive na turnê pelo Brasil em 2019.


Eric Clapton — “Tears in Heaven”

Escrita após a morte de seu filho, “Tears in Heaven” é uma das músicas mais dolorosas da história do rock.

Clapton explicou que deixou de tocá-la porque:

“Não queria reviver aqueles sentimentos.”

A faixa ficou mais de uma década fora dos shows, até reaparecer esporadicamente.


Quando o clássico pesa mais que o aplauso

Essas músicas seguem eternas para os fãs, mas, para seus autores, carregam histórias, desgastes e emoções que nem sempre combinam com o palco. No fim das contas, nem todo hit quer voltar para o bis — e nem todo artista quer reviver o passado no volume máximo.