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Um em cada quatro brasileiros já entrou no vermelho para curtir shows ao vivo

Ver o artista favorito no palco virou quase um teste de amor — e, para muitos, de limite financeiro. Uma pesquisa divulgada pela Folha de S. Paulo revela que cerca de 25% dos brasileiros já se endividaram em algum momento para ir a shows de música. O número escancara um dilema moderno: a força cultural dos eventos ao vivo contra um orçamento cada vez mais apertado.

O levantamento mostra que a vontade de assistir apresentações de artistas nacionais e internacionais frequentemente atropela o planejamento financeiro. Para não ficar de fora, fãs de diferentes idades recorrem a cartão de crédito, parcelamentos e até empréstimos para bancar ingressos — e tudo o que vem junto com eles.

IBAGEM SHOW DE ROCK AND ROLL

Imagem: Reprodução

Shows todo ano, mesmo que custe caro

Outros estudos ajudam a entender esse cenário. Uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Opinion Box, aponta que cerca de 62% dos brasileiros vão a pelo menos um show por ano. Já 27% se organizam para assistir a apresentações internacionais, o que eleva ainda mais os gastos com viagem, hospedagem e logística.

Quando a pergunta é sobre exageros, os números falam alto: 23% admitem já ter gastado mais do que podiam em ingressos ou produtos oficiais de artistas, enquanto 20% dizem ter viajado para outro estado — ou até para fora do país — só para não perder um show ou festival.

Crédito fácil, planejamento difícil

No pano de fundo das finanças pessoais, a situação ajuda a explicar o fenômeno. Pesquisas indicam que uma parcela significativa da população vive com pouca margem de reserva financeira. Pouco mais de um terço dos brasileiros não possui nenhuma reserva para imprevistos, e muitos relatam sensação constante de insegurança financeira — cenário que torna o uso do crédito para lazer quase automático.

Por que a conta não fecha?

Especialistas em educação financeira destacam que o impacto vai muito além do valor do ingresso. Alimentação no evento, transporte urbano ou interestadual, hospedagem e compras relacionadas ao show entram na fatura e, somadas, podem virar uma pedrada no orçamento sem planejamento prévio.

Levantamentos anteriores mostram que boa parte do público considera cerca de R$ 300 o maior valor já pago em um ingresso. Ainda assim, muitos admitem comprar entradas em cima da hora, com menos de um mês de antecedência, o que reduz as chances de organização financeira.

Música como prioridade de vida

Para muita gente, ir a shows deixou de ser apenas entretenimento. É experiência, memória e socialização — algo que ganhou ainda mais peso após as restrições impostas pela pandemia. Nesse contexto, a música sobe na lista de prioridades, mesmo quando o bolso pede calma.

No fim das contas, o brasileiro pode até parcelar, atrasar ou renegociar… mas não abre mão de cantar junto, com o volume no máximo, na frente do palco.