Enquanto músicos suam em estúdio e estrada, um novo competidor silencioso vem ganhando território: a música gerada por inteligência artificial. E, segundo Eric Vanlerberghe, vocalista e fundador do I Prevail, o problema não é o gosto do público — é o algoritmo tomando decisões perigosas.
Em entrevista ao podcast Modern Wisdom, Eric acendeu o sinal de alerta ao apontar que bandas criadas por IA já estão ocupando espaços estratégicos em playlists, empurrando artistas reais para fora do jogo.

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Playlists cheias… de ninguém
“Não é sobre alguém dizer ‘prefiro ouvir uma banda de IA a uma banda de verdade’”, explicou o vocalista. “O problema é isso começar a entrar nas playlists, uma atrás da outra. Aí você olha e pensa: ‘Quem é esse? Quem é esse?’ — e não existe ninguém ali. Não há músicos de verdade” (via Blabbermouth).
O recado é claro: não é concorrência criativa, é ocupação de espaço. E quando o espaço é controlado por algoritmos, quem perde visibilidade simplesmente some.
E se o streaming virar gravadora de IA?
Eric foi além e levantou um cenário ainda mais indigesto para a cena musical:
e se as próprias plataformas de streaming começarem a produzir músicas com IA?
“Quem garante que alguém que possui uma plataforma não vai criar suas próprias músicas com inteligência artificial e colocá-las direto nas playlists?”, questionou. “Como a gente luta contra isso?”
A pergunta fica no ar — e incomoda.
Tecnologia é ferramenta, não substituto
Vanlerberghe deixa claro que tecnologia sempre fez parte da música, seja em pedais, plugins ou produção digital. Mas, para ele, existe uma linha perigosa sendo cruzada.
A experiência humana, segundo o vocalista, ainda é o coração da arte. Se ela for substituída por eficiência algorítmica, o impacto não será só criativo, mas econômico e cultural para quem vive de música.
No embate entre rock e robô, a disputa não é por som melhor — é por existência.




